Elixandra cardoso, costura pensamento

"Tecendo silêncios e sentidos entre fios e pensamentos"

Meu Diário
09/12/2025 11h42
ARRANQUE O TECIDO, ainda assim não verá a mulher que costura o próprio mistério nua e crua. (prosa poética )

Tira os panos, arranca o tecido, esfola as rendas que ela veste como quem carrega séculos.

Desnuda o corpo, se tu acha que isso revela alguma coisa além da tua própria miopia misógina.

Uma mulher não cabe na nudez que o teu olho pede. Chamas de nudez o que é só carne, mas o que te falta mesmo é visão que não tenha nascido da tua sede de domínio.

Ela escorre por dentro das dobras do tempo, respira no breu da memória, veste silêncio, dor, claridade e um certo deboche que nenhum homem entende.

homem que acredita que entende mulheres só porque decorou dois elogios.

 

Ela é feitiço antigo.

É casa onde nenhum forasteiro entra sem pagar um preço da última verdade.

É território que não aceita mapa, nem bússola, nem homem que chega batendo no peito achando que tem passe livre só porque sabe tirar um sutiã e calcinha.

 

Tu pode tirar tudo.

A sandália que calça o caminho,

a saia que guarda o fogo,

a blusa que cobre as feridas,

o lençol que protege o sonho.

Pode arrancar até o último fio, Pode rasgar cada laço

Ainda assim não toca no miolo do ser.

 

Porque mulher não se revela no corpo.

Se revela na coragem de existir apesar do mundo.

Nas cicatrizes que ninguém leu,

nas renúncias que ninguém agradeceu,

na força que nenhum homem reparou porque estava ocupado demais olhando para o próprio reflexo brilhando, na autoestima inflada.

 

E se algum homem achar que ela se revela pelada

é porque nunca teve coragem de vê-la vestida de verdade:

vestida de espírito,

vestida de história,

vestida de si.

 

A nudez dela não é atrativo

É espelho. E certos homens não suportam se ver.

A nudez dela não é convite.

É armadilha para quem vê pouco.

O segredo não está na pele.

Está no abismo luminoso que  você nunca alcança.

 

E, sinceramente, se o sujeito ainda acredita que tirar roupa é o mesmo que descobrir alma,

ele merece continuar tropeçando no próprio desejo mal educado.

 

elixandra cardoso...

 

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 09/12/2025 às 11h42
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