

11/06/2026 11h40
Entre o Eu e o Tu/ Vínculos que Ampliaram Minha Existência
Carrego comigo muitos encontros que já passaram. Alguns permaneceram, outros se despediram, outros sequer souberam a marca que deixaram em mim. Com minhas limitações e singularidades, muitas vezes caminhei com a sensação de estar traduzindo um mundo que parecia falar outra língua. Houve mal-entendidos, silêncios, afetos intensos e despedidas que demoraram a encontrar lugar dentro de mim. Ainda assim, nenhum vínculo foi inútil. Aprendi que não sou uma ilha. O que sou hoje foi tecido também pelas mãos, pelas palavras e até pelas ausências daqueles que cruzaram meu caminho. Cada amizade, cada amor, cada conflito e cada perda ampliaram as margens da minha existência. No 'eu-tu', como dizia Filosofo Martin Buber, o eu se realiza. Não porque o outro me complete, mas porque o encontro me revela aspectos de mim que sozinha eu não enxergaria. Nem todos os vínculos foram suaves. Alguns doeram. Outros terminaram antes do que eu desejava. Mas até as cicatrizes são uma forma de memória. Não preciso transformar cada pessoa em destino eterno para reconhecer que ela participou da minha travessia. Hoje compreendo que a vida não é uma coleção de posses, mas de encontros. Sou feita também daqueles que passaram. E aqueles que passaram levaram algo de mim. Talvez seja esse o mistério da existência: nenhum de nós carrega sozinho todas as cores do mundo. Somos, em alguma medida, uma costura de presenças e ausências, um diálogo inacabado entre o eu e o tu, enquanto a vida continua, paciente, ampliando seus horizontes.
Escritora e poetisa/ Elixandra Cardoso
Inspiração/ Martin Buber Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 11/06/2026 às 11h40
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 20/04/2026 22h27
DUAS FALTAS/ DUAS VONTADES “o amor é o encontro de duas faltas, duas vontades"
Para Jacques Lacan, o ser humano é marcado pela falta. Sempre nos sentimos incompletos, como se algo essencial estivesse ausente. E é justamente essa ausência que nos move: desejamos, buscamos, nos ligamos aos outros. Então, quando ele fala de amor, não está dizendo que duas pessoas “se completam”, mas sim que: duas pessoas incompletas se encontram cada uma carrega suas próprias faltas, desejos e vazios o amor nasce desse encontro imperfeito, não de uma perfeição Ou seja, o amor não resolve a falta — ele a compartilha. Isso muda tudo. Porque tira o peso da ideia de que alguém precisa “te salvar” ou “te completar”. Em vez disso, o amor vira um espaço onde dois sujeitos reconhecem suas fragilidades e, ainda assim, escolhem estar juntos. No fundo, Lacan está dizendo: amar é aceitar que o outro nunca vai preencher totalmente o que te falta — e mesmo assim desejar esse encontro. Isso faz o amor parecer mais real… e também mais cru. E então entra Arthur Schopenhauer, quase rindo desse esforço humano de romantizar o vazio. Para ele, não é só falta — é vontade. Uma força cega, incessante, que nos atravessa e nos empurra uns para os outros não por beleza ou destino, mas por necessidade. A gente não ama porque encontrou a metade perdida. A gente ama porque é movido por algo que nunca se satisfaz. No olhar de Schopenhauer, o amor não é redenção — é impulso. Não é descanso — é tensão disfarçada de encontro. E talvez seja aí que as duas ideias se tocam: amamos porque falta e continuamos amando porque a vontade não nos deixa parar No fim, não há completude. Há movimento. E, no meio desse movimento, duas faltas se reconhecem… e por um instante insistem em ficar
Elixandra cardoso.... Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/04/2026 às 22h27
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“O Casamento Não É Sobre Amor / É Sobre Conveniência?”
Mulheres não gostam do casamento. Gostam do que ele promete. Uma casa. Um lugar seguro. Um chão firme pra criar filhos. Dinheiro. Provisão. Quando uma mulher sonha com casamento, ela fala do vestido, do bolo, da festa, da decoração. O noivo? Figurante de luxo. Se colocar uma vassoura de gravata ali no altar, a cena ainda acontece. Porque o sonho não é o homem. É o pacote. O casamento, pra ela, muitas vezes é estrutura. É conquista material e emocional misturada numa fantasia bem decorada. Já o homem… esse bicho que posa de forte, racional, inabalável — Ele gosta do casamento em si. De chegar em casa e ter alguém. De ser esperado. De receber carinho. De dividir o peso do dia. De não carregar o mundo sozinho. No fim das contas, enquanto ele busca afeto, ela, muitas vezes, busca estabilidade. E aí vem a ironiaq disfarçada de bonita e meio trágica:
quem parece forte, sente mais. quem parece emocional, calcula mais.
Talvez o homem seja mais frágil do que admite. E a mulher, mais estratégica do que aparenta. Ou talvez todo mundo só esteja tentando sobreviver com menos solidão e mais segurança, cada um do seu jeito torto.
E VOCÊ QUANDO PENSA EM CASAMENTO, PENSA EM ALGUÉM… OU PENSA NO QUE VEM JUNTO COM ELE?
A vida troca, negocia, ajusta. O problema não é o interesse. É fingir que ele não existe enquanto chama isso de amor puro.
crônica reflexiva de crítica social contemporânea líquida
Elixandra cardoso Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 07/04/2026 às 11h04
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DO PRIMEIRO ANDAR AO IMPACTO ( Segunda parte)
Do Primeiro Andar ao Impacto ( Segunda parte)
Nasci no primeiro andar. Sem escolha, sem memória, só um corpo pequeno demais pra entender que já estava dentro de uma queda. O prédio era alto demais pra caber no pensamento. Mas algo em mim já tremia… como quem sabe sem saber. No décimo andar, aprendi o nome das coisas. Chamaram de vida, chamaram de destino, chamaram de plano. Eu acreditei. Criança acredita até no que não vê, principalmente no que acalma. No vigésimo, comecei a olhar pelas janelas. Vi gente sorrindo, gente quebrando, gente fingindo que não estava caindo. Foi ali que a primeira pergunta me atravessou:
QUEM CONSTRUIU ISSO TUDO?
No trigésimo, a fé virou dúvida. O vento já entrava pelas brechas, bagunçando certezas como quem rasga papel velho. E outra pergunta veio, mais pesada:
PORQUE NOS COLOCARAM AQUI?
No quadragésimo, o corpo entendeu antes da mente: isso não era um prédio… era uma trajetória. Não tinha escada de volta. Não tinha botão de parar. Só descida. E então… o topo. Andar cinquenta. Ali, o silêncio era maior que qualquer resposta. Um vazio elegante, frio, quase inteligente. Senti, pela primeira vez, que talvez quem fez isso… não estava mais aqui. Ou pior: nunca esteve por nós. Criaram. E foram embora. Sem manual. Sem aviso. Sem cuidado. E então eu pulei. A queda não é um grito. É um silêncio rasgando todo corpo por dentro. O ar bate forte, mas não segura. Nada segura. E enquanto o mundo sobe e eu desço, as perguntas vêm como estilhaço de vidro:
quem me fez? por quê? isso tudo é erro ou intenção?
Mas o vento não responde. Nunca respondeu. No meio da queda, percebi uma coisa cruel: mesmo que eu soubesse… não mudaria o chão me esperando. Então parei de perguntar. Não por resposta. Por exaustão. E foi nesse cansaço que algo estranho nasceu:
se não tem mão guiando… se não tem olhar cuidando… se não tem sentido dado… então o único lugar onde algo pode existir é aqui, no meio da queda.
Senti o ar no rosto. Vi fragmentos de vida passando rápido demais: um toque, um erro, um riso torto, um desejo mal resolvido. Nada disso impedia o impacto. Mas tudo isso… preenchia o caminho. E então entendi, não com a cabeça, mas com o corpo: não é sobre quem construiu o prédio. não é sobre por que fui lançado. é sobre isso — esse intervalo brutal entre o primeiro andar e o chão. A queda continua. O chão cresce. E eu… estranho o suficiente… ainda escolho sentir. Mesmo sabendo que no fim vou me despedaçar inteiro. Porque talvez a única liberdade real seja essa: cair consciente… e ainda assim não fechar os olhos. Porque no fim… não tem metáfora que salve o corpo do encontro. A queda não falha. Não se distrai. Não esquece de ninguém. Ela cumpre. E o chão… o chão não é castigo, nem surpresa. É só o destino sendo exato. Sem atraso. Sem piedade. Sem sentido dado. Então eu sigo, ainda no ar, com o vento cortando e a vida passando rápido demais pra caber nas mãos… sabendo, com uma lucidez quase cruel: a queda é certa. o chão… é o meu destino. E, ainda assim, enquanto não chego — eu sinto.
Texto / prosa poética existêncial ( significado o que é a vida) Inspiração/ filosofia do existencialismo Filme Prometheus Filme O mundo depois de nós
Elixandra cardoso... Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 06/04/2026 às 15h11
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ENTRE O ANDAR CINQUENTA O CHÃO ( primeira parte)
Dizem que viver é subir. Mentira bonita. Viver é cair. Você nasce já no topo de um prédio invisível, desses que não têm escada de volta. No letreiro lá em cima, meio apagado, quase irônico, está escrito: destino. E então… você pula. Não tem plateia, não tem trilha sonora heroica, não tem asas escondidas nas costas. Só o vento batendo na cara e a certeza crua: lá embaixo, você vai se despedaçar inteiro. A vida não é sobre evitar a queda. É sobre o que você faz enquanto despenca. No trigésimo andar, tem gente gritando: “isso é injusto!” No vigésimo, alguém ainda tenta negociar com o vazio: “talvez eu não mereça isso…” No décimo, já tem quem amaldiçoa o vento, o prédio, o mundo, o acaso. E tem os outros. Os estranhos. Os quase lúcidos. Aqueles que, no meio da queda, fecham os olhos por um segundo e sentem o vento como carinho, não como ameaça. Que olham as janelas passando e pensam: “olha quanta vida existindo ao mesmo tempo.” Tem quem ria no meio do abismo. Tem quem perdoe. Tem quem ame… caindo. Porque a escolha nunca foi sobre o chão. O chão não negocia. A escolha é sobre o percurso. Reclamar até o impacto… ou colecionar pequenos instantes de beleza enquanto o fim se aproxima com a delicadeza de um soco. No último segundo, não faz diferença o quanto você gritou. Mas faz diferença o quanto você viveu enquanto caía. E aí, quando o corpo finalmente encontra o chão — inevitável, brutal, honesto — fica ecoando no silêncio o único mistério que realmente importava: como você escolheu cair? Porque, no fim, como diria Fiódor Dostoiévski, o mistério da existência humana não reside apenas em permanecer vivo, mas em encontrar algo por que valha a pena viver.
É isso Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 05/04/2026 às 15h48
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