

03/01/2026 12h28
NOVELA FILOSÓFICO-POÉTICA CAPÍTULO 02/ Tratado Breve Sobre o Desejo em notas de hortelã e cangote
novela filosófico-poética em capítulos Bar do Além Existencial
No boteco do além existencial, já sentados Silas, Tomy e uma saudade de carne. Chega Biel, de camisa abotoada até o pescoço e sandália, pedia um chope escuro e dizia/
— “A alma se move pela razão, mas confesso/ ontem sonhei com um cangote e acordei com gosto de hortelã na língua.”
Silas dá risada e puxa a conversa/ — “O desejo, meu irmão, é a pergunta sem resposta.” Biel sorri de lado, riscando ideias no balcão/ — “Tudo é sombra do que arde no mundo das formas.”
Enquanto isso, a feiticeira passa na calçada com olhos de fumaça e um cheiro que desregula os sentidos.
Ninguém a vê. Mas ela sente tudo.
Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 03/01/2026 às 12h28
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NOVELA FILOSÓFICO-POÉTICA CAPÍTULO 01 / Zahra com Bandeija de Silêncios
Novela filosófico-poética em capítulos/ bar do além existencial.
ZAHRA COM BANDEIJA DE SILÊNCIOS
O sino da porta tilinta com leveza. Um silêncio mais fino que o véu do tempo se instala.
Ela entra.
ZAHRA, a garçonete de olhos líquidos, bandeja na mão e alma em transe.
Traz chope escuro com essência de jasmim, e um recado que ninguém pediu mas todos esperavam.
SILAS a reconhece de outras dimensões/ — “Você é a que escreve em silêncio?” Ela sorri como quem não confirma, mas não nega. E deposita sobre a mesa quatro copos e uma pergunta/
— “O que é que vocês estão tentando esquecer?”
DAVIS engasga. TOMY desvia o olhar. fecha os olhos como quem reza. BIEL, o mais nu deles, responde/
— “Estamos tentando lembrar sem sofrer.”
ZAHRA serve o último copo com delicadeza de abismo/ — “Então bebam. Mas saibam/ todo gole traz um pedaço do que foi negado.”
Ela se vira e some entre mesas vazias e luz negra.
Lá fora, a feiticeira faz uma prece de corpo, e a noite respira hortelã com lembrança. Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 03/01/2026 às 11h12
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Canto da Visão ( Poesia épica experimental)
Canto a vibração, e ao fechar os olhos te vejo / não como homem apenas, mas como mito.
És Dionísio em meu sangue, fogo que embriaga, delírio que me arranca do chão do mundo.
És Apolo em meus olhos, luz que ordena o caos, harmonia que me guia entre sombras e clarões.
Sereia sagrada me chama em ti, voz que curva oceanos, feitiço de ondas eternas que não sei / nem quero / resistir.
No instante, somos infinito/ símbolo sem fim, círculo encantado, mágica que o tempo jamais poderá apagar.
É isso. Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 03/01/2026 às 10h34
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CARTAS DE AMOR SÃO HORROROSAS/ primeiro registro que o cérebro precisava.
Não escrevo pra te chamar de volta. Escrevo porque o primeiro amor não aceita silêncio. Ele faz barulho mesmo depois de morto. Você foi o melhor erro que meu corpo cometeu e a pior escolha que meu juízo aplaudiu de pé. Foi o beijo mais quente, o prazer mais penetrante e a despedida mais fria. O toque mais puro com o espinho mais fundo. Nada depois de você foi inaugural. Nada foi imediato. Você virou modelo. O molde que o cérebro precisava. Geometria, memória, cópia. Tudo o que veio depois foi repetição com menos brilho. Você marcou meu cérebro como cheiro de casa antiga que a gente não mora mais mas reconhece de olhos fechados. Te amei com aquela ignorância linda de quem não sabe se defender. Te amei sem manual, sem cálculo, sem saída de emergência. E você me trocou, penetrou. Simples assim. Como quem muda de estação achando que o clima melhora. A maldade foi gostosa, não minto. O prazer tinha gosto de perigo bom. A ilusão era cruel, mas extremamente convincente. Você mentia com tanta sinceridade que parecia verdade. Eu acreditava porque queria. Isso também é uma forma de culpa. Você me ensinou o que dói mais/ não é perder. É quase ter sido tudo. Depois, você morreu. E isso embaralhou o jogo. Porque ninguém ensina a brigar com fantasmas nem a sentir ciúme de quem virou ausência definitiva. A morte te congelou jovem, intenso, errado. Enquanto eu envelheci tentando entender. Hoje, quando o passado resolve bater, ele vem com tua cara. Outra vez. Sempre outra vez. Como se o amor inaugural não tivesse relógio, só retorno eterno. Hoje ainda te procuro. Não por saudade romântica, mas por hábito neurológico. Procuro tua voz, aquela que gemeu no meu ouvido e depois soube me dizer verdades mentirosas duras, como quem afaga e corta no mesmo gesto. Procuro tuas mãos. As que acariciaram e as que apontaram meus erros, como se só eu pudesse errar naquele mundo. Procuro o sabor da tua saliva, que um dia foi mel divinal e depois foi dividida com outra sem perder a coragem de parecer única. O corpo lembra antes da consciência. O cérebro repete antes de compreender. E chama de amor o que foi treino, intensidade, química, engano, infernal mas que, ainda assim, foi bom. Bom porque foi vivo. Bom porque foi inteiro. Bom porque me feriu acordada. Não te escrevo pra fechar ferida. Primeiro amor não cicatriza. Vira órgão. Aprende-se a viver com ele funcionando torto. Essa carta não pede resposta. Nem perdão. Nem visita em sonho. É só um registro. Uma prova de que você existiu e de que eu sobrevivi. Cartas de amor são horrorosas mesmo. Mas algumas precisam ser escritas pra não apodrecerem dentro da gente.
Talvez seja isso que chamamos de amor/ um registro bem-sucedido no cérebro. Uma memória que deu certo errado demais. O cérebro não quer verdade. Quer familiaridade. Quer repetir o caminho que já conhece, mesmo que termine em queda. Quem busca conhecimento aprende a sair da zona de conforto do sentir. Quem não busca repete o mesmo modelo e chama de destino. Fica a pergunta / o primeiro amor não passa de um registro mal gravado no cérebro, um modelo antigo que ele insiste em repetir por medo de aprender outra forma de sentir O cérebro é uma máquina, cumpre seu papel, através dos circuitos elétricos dos sentidos. Emoções não são inteligentes Fantasmas existem. o conhecimento ajuda. É isso Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 02/01/2026 às 15h32
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 23/12/2025 16h46
OLHAR ESPIRITUAL
E Deus, se é que ainda sussurra, não está no futuro que corre, mas no instante que pousa. Amar é dar tempo, rezar é silenciar as tarefas. A eternidade não está depois da vida: talvez esteja no intervalo entre dois pensamentos sem cobrança.
é um gerente de medo. Anota faltas, cobra juros da culpa, promete céu como prêmio e inferno como chantagem. Esse deus vive de ameaça e se alimenta da nossa obediência cansada. Mas esse deus já morreu. Morreu de excesso de moral, morreu de tanto ser usado para controlar corpos, desejos e silêncios. Morreu sufocado pela própria vigilância. O que sobra não é vazio. É outro nome para o sagrado. Deus não é juiz nem carcereiro. Deus é aquilo que Raul canta em Gita: não fora, não acima, não depois. É dentro, é agora, é em tudo que respira. É o que arde quando a gente se reconhece vivo, inteiro, sem medo de ser quem é. Esse Deus não observa. Ele acontece. Não pune, não premia. Ele atravessa. E quem ainda insiste no deus do castigo talvez só tenha medo de viver sem coleira metafísica.
Cio do Caos
Dizem: não se apegue, as pessoas mudam com o vento dos dias. Mas meu fôlego é feito de presenças… sem elas, não respiro.
Aqui na varanda, o caos dança entre Apolo e Dionísio / sagrado e profano se cruzam, nasce o yang e o yin como um só sopro.
O abismo ferve em mim: um caldeirão destinado a reunir o pólen sagrado e as ervas daninhas num só ritual de criação.
Pela física, pela química / a união dos polos é o que equilibra a equação: nada sozinho é alguma coisa.
Desejamos ter pessoas, mas quando as temos… desejamos a solidão. Somos o paradoxo em carne viva, desejando o que falta, fugindo do que se alcança.
Bem-vindo ao retorno eterno: ninguém entra no mesmo rio duas vezes, mas é do caos das águas que nasce a estrela dançante. Entre a ânsia que fere e o tédio que corrói, somos levados pela corrente da vontade / querendo, fugindo, recomeçando. E no abismo do fluxo, tornamos a dançar.
E Deus? Esse que tem molde… está morto. Deus é tudo. Como diz o Gita: "Eu sou o fogo, o vento, o desejo, o silêncio e o som." Como canta Raul: "Deus é isso, é aquilo, é aquilo outro... Deus é o caos, é o cio, é o todo."
Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 23/12/2025 às 16h46
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