Elixandra cardoso, costura pensamento

"Tecendo silêncios e sentidos entre fios e pensamentos"

Meu Diário
23/12/2025 15h24
EXILADA NO LUTO: NADA É TUDO

As palavras podem soar bonitas,, poéticas,

mas o sentir diz outra coisa.

Há perguntas sem resposta.

Dúvidas e erros são analisados,

dissecados como quem procura um sentido no nada.

 

Mas não encontro nada.

Só molduras.

Talvez esse nada já diga tudo,

sem dizer coisa alguma.

 

Onde está a voz da minha mãe,

que me chamava pelo nome,

Sandra?

 

Onde está o corpo da minha mãe,

que ocupava a casa só de existir,

mesmo brigando?

 

Onde está o abraço da minha mãe,

que me organizava por dentro?

 

Onde foi parar o gesto simples,

o café, o cuidado, o favor,

o olhar que sabia antes?

 

Mesmo em exílio,

ela me fez o último favor.

Histórico escolar.

Fuçou até encontrar

e me enviou, aqui no rebaixamento onde me encontro em exílio, longe de todos e tudo.

 

Mesmo com coragem fraca,

sem ânimo,

estudarei e concluirei filosofia,

psicologia.

Honrarei o favor.

 

Mas sigo cansada.

 

Quem sou eu

quando a minha mãe virou nada?

Em que lugar se guarda

quem nos deu forma?

 

Como se vive

depois que o tudo desaparece?

Onde está o tudo

que hoje virou nada?

 

Onde está minha mãe,

que era tudo

e virou nada?

 

Eu sou nada.

Filosofia é nada.

Psicologia é nada.

Sem escutar meu nome ( apelido)

sendo pronunciado pela minha mãe.

SANDRA.


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 23/12/2025 às 15h24
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21/12/2025 12h33
OLHAR FILOSÓFICO DO TEMPO

Se é preciso tempo para viver,

por que vivemos como se o tempo fosse coisa alheia?

Medimos a existência em relógios,

mas esquecemos que o tempo não se mede:

se esculpe.

E, na pressa de chegar,

perdemos o único lugar que tínhamos:

o presente agora.

Tenho horário para chegar ao trabalho,

mas não tenho horas

para voltar ao presente agora

e sentar com a família. Para mãe, filho, amigo, vizinho, a esposa.

Tenho pressa para cumprir metas,

mas não tempo para cumprir afetos. Para preso, doente, desconhecido da rua, viúva, órfão, forasteiro estrangeiro, o voluntariado.

Tenho agenda para reuniões,

mas não espaço para escutar. Para amigo, vizinhança, comunidade.

Tenho despertador para acordar cedo,

mas não silêncio para acordar em mim. Para abençoar, rezar, agradecer, amar, ler, escrever, prazer.

Tenho prazo para entregar resultados,

mas não demora para permanecer.

Tenho minutos cronometrados,

mas nenhum reservado

para o que não produz.

E assim,

vamos chegando a todos os lugares

sem nunca estar de fato

onde estamos.

Voz do coletivo.  

 

Elixandra cardoso 

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 21/12/2025 às 12h33
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21/12/2025 10h35
OLHAR ESTÉTICO EXISTENCIAL

 

Há beleza numa manhã sem urgência.

Há beleza em ouvir o silêncio de si mesmo.

Mas fomos ensinados que só vale quem produz.

E agora caminhamos entre obras inacabadas,

nós mesmos inacabados,

cansados de tentar completar calendários que nos devoram.

Calendário da beleza estética juvenil.

Calendário da empresa bem-sucedida.

Calendário dos pais perfeitos.

Calendário das relações que suportam tudo.

Calendário da fé que barganha céu e inferno.

Calendário do sorriso impecável.

Calendário do funcionário útil e preciso.

Calendário do estudante sem erros.

Calendário do cidadão de bem, à esquerda ou à direita.

Calendário da democracia de um ser humano impecável.

Fomos obras perfeitas,

mas nos fizeram tornar-nos obras inacabadas.

Essa voz veio do coletivo...

 

Elixandra cardoso 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 21/12/2025 às 10h35
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20/12/2025 20h27
RITO INICIAÇÃO TANTRICO FEMININO/ 0 TAPETE VERMELHO DO ÊXTASE/ poesia sensorial/ erótico-místico

RITO FEMININO 5 / O TAPETE VERMELHO DO ÊXTASE

 

O chão era um tapete bordado à mão com fios vermelhos.

Ela deitou de costas, braços abertos, crucificada no desejo.

 

O xamã começou a tocar tambor.

Seus quadris acompanharam o ritmo.

O útero dela vibrava como um tambor interno, ecoando por gerações.

 

Ele acendeu uma vela e colocou entre suas pernas, sem tocar.

A chama dançava com a respiração dela.

 

— Este é teu altar.

— Esta é tua oferenda.

 

Ele penetrou com os dedos, em círculos.

Depois, com a língua.

E, por fim, com o sexo — reto, profundo, tântrico.

Não para tomar.

Mas para devolver.

 

No ápice, ela arqueou o corpo e gritou o nome que não sabia ter.

 

— Eu.

Iniciação concluída 

 

Elixandra cardoso...

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 20h27
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20/12/2025 20h20
RITO INICIAÇÃO TANTRICO FEMININO/ 0 BATISMO DOS LÁBIOS/ poesia sensorial/ erótico-místico

RITO TANTRICO  FEMININO 4 — O BATISMO DOS LÁBIOS

 

Ele preparou um banho com ervas: dama-da-noite, alfazema, mirra e alecrim.

Ela entrou nua, com os cabelos soltos como raízes.

 

— Este é o batismo dos teus lábios — ele disse.

— De todos eles.

 

Ele lavou seus pés, seus seios, sua boca.

E, por fim, ajoelhou diante de sua vulva.

 

— Que tua flor fale.

— Que tua flor cante.

— Que tua flor lembre que é sagrada.

 

E ele a beijou entre os lábios menores.

Devagar.

Com a língua carregada de óleo de rosa e cântico.

Ela não gemeu — ela rezou.

E seu ventre respondeu com ondas.

Foi batizada em prazer.

Iniciação concluída 

 

Elixandra cardoso.

 

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 20h20
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