Elixandra cardoso, costura pensamento

"Tecendo silêncios e sentidos entre fios e pensamentos"

Meu Diário
20/12/2025 19h29
RITO TANTRICO MASCULINO 02 /A AGULHA DO SOL NEGRO/ poesia sensorial-poetico-erótico-místico

RITO MASCULINO TANTRICO  02 / AGULHA DO SOL NEGRO

 

Ele o lobo, chegou dizendo que não sentia nada.

Nem amor, nem raiva, nem desejo. 

 

Ela sorriu.

— Então você está pronto.

 

Levantou seu membro com as mãos cheias de óleo e palavras.

Fez dele uma vela sagrada.

Acendeu com sua boca.

 

Girando os quadris, dançou em volta do corpo dele.

O sexo dele pulsava como tambor antigo.

 

— O Sol negro da tua alma precisa arder.

E eu sou o fogo.

 

Ela sentou com força, encaixando até o fundo.

Fez círculos com os seios em sua boca, como quem desenha mandalas.

Depois girou o corpo até ele sentir um gozo no coração, não só na carne.

 

Ao gozar, ele perdeu a noção do tempo.

E ela selou seu ventre com beijo.

 

— Agora você tem alma costurada no prazer.

Iniciação concluída no óleo, palavra e fogo.

 

Elixandra cardoso 

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 19h29
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20/12/2025 18h57
RITO TANTRICO MASCULINO 01— O BORDADO DO ESPELHO/ poesia sensorial sensual-sensível

Ele o lobo, veio nu.

Mas os olhos, cobertos por véus antigos.

Ela colocou um espelho entre os corpos

,

não para que ele visse carne,

mas origem.

 

— Aqui começa o que te funda

e o que te foi negado.

Ela se abriu devagar,

como flor que não pede pressa.

O tempo ali era lunar,

o gesto, reverência.

Tomou a mão dele

e ensinou não o toque,

mas a escuta.

 

O corpo como território sagrado,

não como conquista.

— O prazer é um oráculo

quando não se tem medo dele.

Uniram-se no ritmo do rito:

lento,

selvagem,

feiticeiro.

 

Não houve posse.

Houve travessia.

Ao final, ela marcou seu peito

com tinta vermelha,

como quem borda um destino/

“Iniciado no fogo do ventre.

Filho do prazer consciente.

Lobo que lembra quem é.”

 

Elixandra cardoso 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 18h57
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20/12/2025 18h34
VENTANIA NA FLORESTA / poesia sensorial trágico-filosófico

 

Era um vento frio nos escuros da floresta.

Não passava. Investia.

Batia nos ombros nus,

pesava no rosto,

era sentido sem tocar,

como medo antigo que a gente reconhece pelo cheiro.

 

As árvores rangiam por dentro.

Não era barulho. Era aviso.

Vozes rasgavam o entorno, finas, quase invisíveis.

Não vinham de fora.

Chamavam de dentro,

como quem sabe o nome que a gente tenta esquecer.

 

A emoção não tinha fim.

Não era coisa, não era posse.

Não sabia quem era, nem para si.

Havia sons na borda da floresta,

pisadas em folhas secas,

presenças que não se veem

mas alteram o ar.

 

Sombras iam e vinham,

vultos sem convite,

sem rosto, sem promessa.

O ser despiu o pensamento

como quem larga um peso no chão.

Sou ninguém.

 

E no escuro, sem defesa,

confessou o medo mais difícil /

teme ser uma loba boa.

Adestrada.

fantasia da virtude.

Não é medo de ser fera.

É medo de virar obediência com nome bonito.

 

Elixandra cardoso 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 18h34
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09/12/2025 11h42
ARRANQUE O TECIDO, ainda assim não verá a mulher que costura o próprio mistério nua e crua. (prosa poética )

Tira os panos, arranca o tecido, esfola as rendas que ela veste como quem carrega séculos.

Desnuda o corpo, se tu acha que isso revela alguma coisa além da tua própria miopia misógina.

Uma mulher não cabe na nudez que o teu olho pede. Chamas de nudez o que é só carne, mas o que te falta mesmo é visão que não tenha nascido da tua sede de domínio.

Ela escorre por dentro das dobras do tempo, respira no breu da memória, veste silêncio, dor, claridade e um certo deboche que nenhum homem entende.

homem que acredita que entende mulheres só porque decorou dois elogios.

 

Ela é feitiço antigo.

É casa onde nenhum forasteiro entra sem pagar um preço da última verdade.

É território que não aceita mapa, nem bússola, nem homem que chega batendo no peito achando que tem passe livre só porque sabe tirar um sutiã e calcinha.

 

Tu pode tirar tudo.

A sandália que calça o caminho,

a saia que guarda o fogo,

a blusa que cobre as feridas,

o lençol que protege o sonho.

Pode arrancar até o último fio, Pode rasgar cada laço

Ainda assim não toca no miolo do ser.

 

Porque mulher não se revela no corpo.

Se revela na coragem de existir apesar do mundo.

Nas cicatrizes que ninguém leu,

nas renúncias que ninguém agradeceu,

na força que nenhum homem reparou porque estava ocupado demais olhando para o próprio reflexo brilhando, na autoestima inflada.

 

E se algum homem achar que ela se revela pelada

é porque nunca teve coragem de vê-la vestida de verdade:

vestida de espírito,

vestida de história,

vestida de si.

 

A nudez dela não é atrativo

É espelho. E certos homens não suportam se ver.

A nudez dela não é convite.

É armadilha para quem vê pouco.

O segredo não está na pele.

Está no abismo luminoso que  você nunca alcança.

 

E, sinceramente, se o sujeito ainda acredita que tirar roupa é o mesmo que descobrir alma,

ele merece continuar tropeçando no próprio desejo mal educado.

 

elixandra cardoso...

 

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 09/12/2025 às 11h42
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22/08/2025 15h17
“O absoluto não se escreve, talvez o relativo sim”

Soa como um sopro filosófico que já traz em si a tensão entre o inefável e o narrável. 

 

O absoluto, por definição, escapa à pena, dissolve-se em silêncio. O relativo, ao contrário, implora registros, conceitos, metáforas… É a luta entre o indizível e o dito.

 

A luz só tem sentido porque existe a sombra; o ego se engana tentando brilhar onde já há claridade. A verdade é que a luz só brilha quando atravessa a escuridão; é no contraste que o sentir fala mais alto que a razão. Somos feitos de luz, mas essa luz só encontra sentido quando se perde e se reencontra no ventre da noite. É no choque entre sombra e claridade que as palavras deixam de ser sinais enjaulados e tornam-se presença viva.

 

Talvez a metáfora maior seja esta: a razão acorrenta, o delírio liberta. No silêncio do sentir, a luz se revela mais intensa justamente porque nasce da noite.

 

Onde anda a poesia? Talvez não esteja apenas nos versos, mas no sopro que atravessa o instante, no gesto silencioso, na dor calada, no amor sonhado que não grita, no olhar que se perde e se encontra ao mesmo tempo. A poesia não caminha em ruas visíveis; esconde-se no detalhe, na escolha de cada dia, no que sentimos sem saber nomear. Procurá-la é quase sempre já estar dentro dela — mergulho onde razão e delírio se confundem no criador que nos habita.

 

As letras que carregamos não são apenas símbolos do alfabeto, mas forças metafísicas. Cada palavra nasce acorrentada por conceitos, mas luta, ferozmente, para escapar da jaula da razão. É nesse embate que o sentir floresce, onde discurso racional se cala e abre espaço para o indizível. A narrativa se torna mapa secreto da consciência: entre o real e o imaginário, entre sombra e luz, entre ego e centelha.

 

Inspiração é sopro divino que atravessa sem pedir licença. Somos fagulhas de um mesmo fogo, espelhos de um poder maior que insiste em se revelar em cada gesto humano. Louvar não é curvar-se ao externo, mas reconhecer que dentro de nós pulsa uma centelha capaz de criar mundos. Na quietude, o diálogo interno se faz templo; conversamos com o próprio infinito que nos habita. E então descobrimos: não precisamos correr atrás da inspiração — somos feitos dela.

 

O Absoluto Não Se Escreve

 

Porque toda letra é mortal,

E o Absoluto é sopro que não cabe em ossos de papel.

O verbo humano é estreito, um rastro, um eco,

Enquanto o Inefável respira no intervalo

Entre o silêncio e a palavra que não nasceu.

 

O Absoluto não se escreve,

Ele se deixa intuir — como luz que só clareia na sombra,

Como vento que se sabe pelo balançar das árvores.

Não se captura o oceano em um copo,

Nem o infinito em um dicionário.

 

Escrevemos fragmentos, sinais, rastros,

Mas o todo permanece ileso, intacto, inalcançável.

Talvez por isso a poesia exista:

Para dançar nas bordas do indizível,

E lembrar-nos de que o Absoluto

Não se escreve — apenas se vive.

 

 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 22/08/2025 às 15h17
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