Elixandra cardoso, costura pensamento

"Tecendo silêncios e sentidos entre fios e pensamentos"

Meu Diário
20/12/2025 18h34
VENTANIA NA FLORESTA / poesia sensorial trágico-filosófico

 

Era um vento frio nos escuros da floresta.

Não passava. Investia.

Batia nos ombros nus,

pesava no rosto,

era sentido sem tocar,

como medo antigo que a gente reconhece pelo cheiro.

 

As árvores rangiam por dentro.

Não era barulho. Era aviso.

Vozes rasgavam o entorno, finas, quase invisíveis.

Não vinham de fora.

Chamavam de dentro,

como quem sabe o nome que a gente tenta esquecer.

 

A emoção não tinha fim.

Não era coisa, não era posse.

Não sabia quem era, nem para si.

Havia sons na borda da floresta,

pisadas em folhas secas,

presenças que não se veem

mas alteram o ar.

 

Sombras iam e vinham,

vultos sem convite,

sem rosto, sem promessa.

O ser despiu o pensamento

como quem larga um peso no chão.

Sou ninguém.

 

E no escuro, sem defesa,

confessou o medo mais difícil /

teme ser uma loba boa.

Adestrada.

fantasia da virtude.

Não é medo de ser fera.

É medo de virar obediência com nome bonito.

 

Elixandra cardoso 


Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 18h34
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Site do Escritor criado por Recanto das Letras