

20/12/2025 18h34
VENTANIA NA FLORESTA / poesia sensorial trágico-filosófico
Era um vento frio nos escuros da floresta. Não passava. Investia. Batia nos ombros nus, pesava no rosto, era sentido sem tocar, como medo antigo que a gente reconhece pelo cheiro.
As árvores rangiam por dentro. Não era barulho. Era aviso. Vozes rasgavam o entorno, finas, quase invisíveis. Não vinham de fora. Chamavam de dentro, como quem sabe o nome que a gente tenta esquecer.
A emoção não tinha fim. Não era coisa, não era posse. Não sabia quem era, nem para si. Havia sons na borda da floresta, pisadas em folhas secas, presenças que não se veem mas alteram o ar.
Sombras iam e vinham, vultos sem convite, sem rosto, sem promessa. O ser despiu o pensamento como quem larga um peso no chão. Sou ninguém.
E no escuro, sem defesa, confessou o medo mais difícil / teme ser uma loba boa. Adestrada. fantasia da virtude. Não é medo de ser fera. É medo de virar obediência com nome bonito.
Elixandra cardoso Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/12/2025 às 18h34
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