

23/12/2025 15h24
EXILADA NO LUTO: NADA É TUDO
As palavras podem soar bonitas,, poéticas, mas o sentir diz outra coisa. Há perguntas sem resposta. Dúvidas e erros são analisados, dissecados como quem procura um sentido no nada.
Mas não encontro nada. Só molduras. Talvez esse nada já diga tudo, sem dizer coisa alguma.
Onde está a voz da minha mãe, que me chamava pelo nome, Sandra?
Onde está o corpo da minha mãe, que ocupava a casa só de existir, mesmo brigando?
Onde está o abraço da minha mãe, que me organizava por dentro?
Onde foi parar o gesto simples, o café, o cuidado, o favor, o olhar que sabia antes?
Mesmo em exílio, ela me fez o último favor. Histórico escolar. Fuçou até encontrar e me enviou, aqui no rebaixamento onde me encontro em exílio, longe de todos e tudo.
Mesmo com coragem fraca, sem ânimo, estudarei e concluirei filosofia, psicologia. Honrarei o favor.
Mas sigo cansada.
Quem sou eu quando a minha mãe virou nada? Em que lugar se guarda quem nos deu forma?
Como se vive depois que o tudo desaparece? Onde está o tudo que hoje virou nada?
Onde está minha mãe, que era tudo e virou nada?
Eu sou nada. Filosofia é nada. Psicologia é nada. Sem escutar meu nome ( apelido) sendo pronunciado pela minha mãe. SANDRA. Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 23/12/2025 às 15h24
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