

03/01/2026 11h12
NOVELA FILOSÓFICO-POÉTICA CAPÍTULO 01 / Zahra com Bandeija de Silêncios
Novela filosófico-poética em capítulos/ bar do além existencial.
ZAHRA COM BANDEIJA DE SILÊNCIOS
O sino da porta tilinta com leveza. Um silêncio mais fino que o véu do tempo se instala.
Ela entra.
ZAHRA, a garçonete de olhos líquidos, bandeja na mão e alma em transe.
Traz chope escuro com essência de jasmim, e um recado que ninguém pediu mas todos esperavam.
SILAS a reconhece de outras dimensões/ — “Você é a que escreve em silêncio?” Ela sorri como quem não confirma, mas não nega. E deposita sobre a mesa quatro copos e uma pergunta/
— “O que é que vocês estão tentando esquecer?”
DAVIS engasga. TOMY desvia o olhar. fecha os olhos como quem reza. BIEL, o mais nu deles, responde/
— “Estamos tentando lembrar sem sofrer.”
ZAHRA serve o último copo com delicadeza de abismo/ — “Então bebam. Mas saibam/ todo gole traz um pedaço do que foi negado.”
Ela se vira e some entre mesas vazias e luz negra.
Lá fora, a feiticeira faz uma prece de corpo, e a noite respira hortelã com lembrança. Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 03/01/2026 às 11h12
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