

06/01/2026 12h06
LABIRINTO DE MEL E VENENO ( Experimental/metáforas/ arquétipico/ mítico/ perda dos sentidos)
São filhos do labirinto onde o Minotauro não é monstro, é homem cansado de ser força sem nome
Ele guarda o centro não por crueldade, mas porque ninguém o ensinou a ser Augusto Leão, a sair inteiro.
Ela entra cigana, saia rodada de presságios, baralho na boca, língua afiada de destino. Leva palavras como quem leva lâminas embrulhadas em mel.
É sereia também. Canta não pra matar, mas porque, se calar, afoga-se. Sua voz seduz, fere, chama. Doce veneno.
Ele escuta. Seu nome/ Morcego. E se perde mais fundo no mais profundo inferno brutal.
Ela fala e depois prova do mesmo veneno. Salomé.
Suas palavras o atravessam como fio de Ariadne ao contrário/ não conduzem pra fora, conduzem pra dentro, às entranha.
Grita em orgasmos. Afrodite, rebelde selvagem, Medusa, e encorpa.
A saliva nasce da boca, escorre como presságio louco, líquido antigo, escrito antes do nome.
Sente tua presença agora em forma de Muladhara, língua de vento deslizando onde a pele guarda mistérios ocultos das profundezas das felinidades não domesticadas, mãe-sombra.
Mãos que não tomam circundam o corpo. Cintura que não se prende, se oferece ao ritmo. Alma de espelho negro canta/ verso é um passo, cada promessa, um corredor sem luz.
É mulher que envenena com palavras, alquimista, bruxa, e é envenenada por elas. Mulher-esqueleto, loba malcriada, diz/
Quero teu sangue em cálice ritual. Quero tua alma em oferenda sacrificial. Quero tua carne em cordão umbilical cortado. Quero teu sêmen sem repressão. Quero teu calor tatuado de runa. Quero tua alma em vigília, o pulso que te move. Quero tua boca em círculos de sal dizendo o que não escreve. Quero tuas mãos sem chicote. Quero teu bem sem prisma da submissão. Quero teu avesso sem holocausto da obediência.
Quero o homem inteiro, com luz e sombra de Dionísio e Apolo misturadas. Não sei como. Não sei quando.
Sem cálculo de coruja que ameaça o delírio. Mas serei ameaçando razão e na dança dos quatro ventos. Serei em personagem ou usando todos eles.
Sua boca fabrica feitiços de obsidiana negra que voltam mordendo a língua. Não existe inocente quando o verbo é afiado em batismo de sombras.
O Minotauro, de tiara de serpentes, a olha com olhos de quem já foi menino das constelações de olho de tigre e pergunta/
— Quer saída? Zahra oferece espelho uterino da tua própria fragilidade e diz/ Nos amamos assim/ ele com seus chifres de culpa, eu com meus mitos de véu nos quadris. Sem redenção, sem herói, sem Teseu. Porque nesse labirinto de lágrimas rituais não se mata o monstro. Se reconhece.
E no centro da palavra mau-dita, onde o medo ajoelha, descobrimos tarde demais/ o veneno era doce porque era verdade.
Mulher-fumaça, Lilith, diz / com ironia fina do destino / o mesmo feminino que eles tentaram domesticar com conceitos voltou séculos depois como pensamento, corpo, escrita, mito, política e linguagem. somos riscos calculados. / feminino / masculino
Elixandra Cardoso. Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 06/01/2026 às 12h06
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