

10/01/2026 23h59
AGORA ( Prosa Reflexiva Poética)
Uma da manhã, na varanda. Escuro. Silêncio. Aconteceu tudo de novo. Eu estava ali sentada, acordada entre um cochilo e outro, me afogando em comparações cruéis. Olho pro centro da varanda e só tem a luz da lua. Ela tá ali. Sempre esteve. Sinto vontade de acreditar que isso ainda liga a gente, mas sei que não liga. Chego a pensar que eu poderia ter sido teu ponto final no amor. É uma ideia boa. Confortável. Mas não é verdade. Às vezes penso no que você estaria fazendo agora. Talvez nada demais. Talvez qualquer coisa. Talvez seguindo a vida. Sou eu que fico aqui insistindo em te buscar na imaginação. O que eu faço agora é isso/ te peço em silêncio pra não me esquecer. Mesmo sabendo que pedir não muda nada. Ainda tem em mim essa vontade de fazer parte da sua vida, de estar incluída, de não ser só alguém que ficou pra trás. Mas também sei que existem lugares onde a gente não é mais convidada a entrar. Depois desses pensamentos, fica um silêncio. E eu sinto que foi… Bobagem. Não é nada além de saudade. Não tem mistério. Não tem sinal. Não tem conexão escondida atrás da luz. A vida já mostrou que nossos caminhos não se juntam mais. Isso dói porque é simples. Não tem drama grande. Só constatação. Você foi importante. Muito. Muito mesmo. E vai continuar sendo parte da minha história. Mas o que vem daqui pra frente não tem você. Algumas lembranças ficam. Não porque eu escolhi. Mas porque é assim. Olho de novo pra varanda e sinto que preciso parar de esperar alguma coisa. Acendo uma luz qualquer. Seguro ela nas mãos e penso/ agora eu preciso cuidar de mim
Elixandra Cardoso
Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 10/01/2026 às 23h59
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