

12/03/2026 11h25
Noite de Instinto ( comunicação noturna )🦇🦇🦇🦝🦝🦝 🐕🐕🐕
Comunicação Noturna A varanda respira frio. A madrugada caiu inteira sobre a casa e o mundo parece suspenso entre dois batimentos do relógio. Tic. Tac. Um morcego corta o ar escuro, rasgando a noite com curvas silenciosas. Ele não vê como os humanos veem. Ele sente. Escuta o invisível. Lá embaixo, na terra úmida do pensamento, uma loba caminha dentro do peito. Ela também sente. O livro está aberto sobre a mesa da varanda, mas as palavras já não mandam em nada. A mente se soltou. Corre pelos caminhos antigos do corpo. O morcego passa outra vez. A loba levanta o focinho. Não há som entre eles. Ainda assim, algo se responde. Um chamado sem voz. Uma vibração atravessando o escuro. O vento entra pelas brechas da madrugada e arrepia a pele como um presságio. Há noites em que o mundo inteiro parece perigoso. Não pelo que aparece… mas pelo que acorda. A loba anda em círculos dentro do peito, inquieta, quente no frio da madrugada. O morcego insiste em sobrevoar a varanda, guardião das sombras. Eles se entendem. Instinto conversa com instinto. Enquanto o relógio segue marcando o tempo dos humanos, algo mais antigo se move na noite. Algo que não precisa de palavras. A loba sabe. O morcego também. E no meio dessa varanda fria, entre livro aberto e pensamento em fuga, a madrugada inteira se transforma numa linguagem secreta, e pertubante Acorda já é dia... Ilusão passou Assim disse o cachorro.
Prosa poética arquétipica Morcego Loba Cachorro Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 12/03/2026 às 11h25
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