

28/03/2026 09h47
O Sonho que Ficou no Corpo
“O Sonho Ainda Está Acontecendo” prosa poética
Sonhei de novo com você. E não foi sonho leve desses que se desfaz no café da manhã — foi desses que deixam rastro no corpo, como se a pele lembrasse antes da memória. A casa estava acesa em silêncio. Velas espalhadas, incensos queimando devagar, como se o ar também quisesse participar do evento. Havia mandalas no chão, desenhando caminhos que nossos corpos ainda não tinham coragem de seguir acordados. Sal nos cantos, rosas abertas como ferida bonita, e a noite lá fora, larga, derramando estrelas pela janela. A gente não falava. Nem precisava. Dois corpos nus, mas não era nudez de pressa — era entrega, dessas que não se explicam, só acontecem. Você chegava perto como quem reconhece território antigo, e eu sentia aquele perigo manso se aproximando um tipo que não machuca… mas transforma por dentro. Em algum lugar distante, uma loba uivava. E tinha resposta. Porque dentro da gente também havia esse chamado — instinto, fome, memória de algo que não cabe em nome nenhum. Te toquei como quem descobre, e fui descoberta como quem se permite, achar Sem mapa Sem roteiro. Sem defesa. Sem amanhã. Só presença. E quando acordei, o quarto estava vazio… mas o corpo não. Porque tem sonho que não termina — ele só muda de plano e fica ali, esperando coragem pra virar realidade. Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 28/03/2026 às 09h47
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