

20/04/2026 22h27
DUAS FALTAS/ DUAS VONTADES “o amor é o encontro de duas faltas, duas vontades"
Para Jacques Lacan, o ser humano é marcado pela falta. Sempre nos sentimos incompletos, como se algo essencial estivesse ausente. E é justamente essa ausência que nos move: desejamos, buscamos, nos ligamos aos outros. Então, quando ele fala de amor, não está dizendo que duas pessoas “se completam”, mas sim que: duas pessoas incompletas se encontram cada uma carrega suas próprias faltas, desejos e vazios o amor nasce desse encontro imperfeito, não de uma perfeição Ou seja, o amor não resolve a falta — ele a compartilha. Isso muda tudo. Porque tira o peso da ideia de que alguém precisa “te salvar” ou “te completar”. Em vez disso, o amor vira um espaço onde dois sujeitos reconhecem suas fragilidades e, ainda assim, escolhem estar juntos. No fundo, Lacan está dizendo: amar é aceitar que o outro nunca vai preencher totalmente o que te falta — e mesmo assim desejar esse encontro. Isso faz o amor parecer mais real… e também mais cru. E então entra Arthur Schopenhauer, quase rindo desse esforço humano de romantizar o vazio. Para ele, não é só falta — é vontade. Uma força cega, incessante, que nos atravessa e nos empurra uns para os outros não por beleza ou destino, mas por necessidade. A gente não ama porque encontrou a metade perdida. A gente ama porque é movido por algo que nunca se satisfaz. No olhar de Schopenhauer, o amor não é redenção — é impulso. Não é descanso — é tensão disfarçada de encontro. E talvez seja aí que as duas ideias se tocam: amamos porque falta e continuamos amando porque a vontade não nos deixa parar No fim, não há completude. Há movimento. E, no meio desse movimento, duas faltas se reconhecem… e por um instante insistem em ficar
Elixandra cardoso.... Publicado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 20/04/2026 às 22h27
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