

Cama Feita e Vultos Sobre a Poltrona
Uma noite mal dormida sobre a poltrona. Ela estava debruçada, enquanto a cama seguia feita, debochando do seu cansaço. Dentro dela, um território que ninguém visita, um corredor onde o silêncio pesa mais do que deveria. A desordem dos pensamentos fez rebelião, e ela caminhou entre vultos sem nome, fragmentos que nunca morreram, mas também nunca tiveram coragem de viver inteiro.
Ela rabisca tudo no papel, como quem abre portas antigas só para deixar o ar entrar. Eles andam, repetem gestos, procuram saída pelas brechas que ela mantém fechadas, como se existisse algum lugar onde pudessem ser abandonados.
Agora cedo, a chuva cai fina. Toca sua melodia torta e confirma o que já latejava: no íntimo dela não é luz nem sombra. É esse espaço pulsante onde a tempestade começa primeiro na cabeça e só depois no céu.
Hoje, pelo menos, a água lá fora respira no mesmo ritmo que ela. E assim ela segue, debruçada na própria loucura, enquanto a chuva desce, o rádio sussurra "live to tell" e a cama permanece feita, irônica, intacta, cúmplice do caos... Elixandra (costura pensamento filosófico)
Enviado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 06/12/2025
Alterado em 06/12/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |