

FÁBULA TRÁGICA DO GATO PRETO 🦉🧙🧜♀️🪡FATOS REAIS (fábula do desamparo não ensina a ser bom. Ensina a reconhecer o veneno.)
Segue a fábula trágica, fatos reais, com moral abaixo:
Sua mãe chamava-se Rebeca, gata preta. Quinze dias parida, cinco gatos / no ninho. Rebeca saiu, como de costume, para dar suas voltas pelos becos da vida envenenada. Seus olhos não puderam reconhecer a armadilha que a aguardava. Viu um prato. Comida bonita. Cheiro de promessa. O cheiro falou mais alto. Ela não resistiu. Comeu. Do veneno traiçoeiro. Era bonito demais para parecer morte. O aroma a cegou. Nas vielas da vida sempre há veneno. E ele mata. Rebeca voltou ao ninho dos cinco gatos apenas para se despedir. Seu corpo tombou para o mundo dos ossos. Sua alma, sabe-se lá onde. Ficaram cinco, sozinhos, sem o seio da mãe. Três morreram de tristeza. Dois ficaram. Sem nome. Injeitados pela maldade que o veneno arrancou. Mal tiveram tempo de mamar as tetas de Rebeca. Mamavam um no outro, como quem diz: “Perdi a mãe, mas ainda tenho meu irmão para brincar de mamar.” Como crianças sem colo, cedo demais passam a buscar nutrição emocional em quem também está faminto. Um irmão consola o outro sem saber como. Um cuida sem ter aprendido. Um vira abrigo improvisado do outro. Não é amor maduro. É sobrevivência afetiva
Um foi doado. O outro ficou. Um gato preto. Aparentemente, tinha tudo: casa, comida, cama. Mas será que tinha tudo ou isso era só cenário bonito?
O que sobrou quando o afeto foi levado pelo veneno?
injeitado Sem nome. Depois ganhou um: Simas Delfos.
Tem comida. Tem abrigo. Tem nome.
Só não tem o afeto da mãe. Isso é fatos reais / e não é só sobre um gato.
MORAL
No plano animal, é literal. No humano, é simbólico até doer. Quando os irmãos mamam um no outro, não é leite que procuram. É continuidade. É o corpo dizendo: ainda estou aqui, não me deixa cair do mundo. Na orfandade humana acontece o mesmo. Crianças sem colo cedo demais passam a buscar nutrição emocional em quem também está faminto. Um irmão consola o outro sem saber como. Um cuida sem ter aprendido. Um vira abrigo improvisado do outro. Não é amor maduro. É sobrevivência afetiva. Eles se agarram em irmãos, em amigos que doem igual, em relações simbióticas, em dependências emocionais, em vínculos onde ninguém tem leite, mas todo mundo tem boca aberta. É gente tentando mamar presença, atenção, pertencimento de alguém tão órfão quanto. Por isso essas relações costumam ser intensas, confusas, às vezes sufocantes. Não porque falte amor, mas porque falta fonte. Falta a mãe simbólica. Falta o chão. “Brincar de mamar” é isso: uma coreografia infantil de quem tenta fingir que a perda não aconteceu, enquanto o corpo sabe que aconteceu sim. Não é patologia. É luto não elaborado. É afeto sem endereço. E quando ninguém chega depois com um colo verdadeiro, essa criança cresce achando que amor é troca desesperada, que vínculo é urgência, que presença é medo de abandono.
Complemento: por isso a moral Felina não é doce .
Nem todo prato cheio é cuidado. Nem toda casa é colo. Nem toda sobrevivência é vida. Há perdas que não se recompõem com nome, nem com abrigo, nem com ração no pote. O veneno que mata uma mãe continua vivendo nos filhos como falta. E a maior crueldade do mundo não é a morte direta, é deixar alguém vivo sem aquilo que o ensinaria a amar. Isso é fatos reais/ mais nunca foi só sobre um gato.
Fotos descrição: Finada Rebeca, os três gatinhos que morrem de tristeza, os dois pretos que ficaram comigo, um foi para doação, e o outro esta comigo Simas Delfos é seu nome .
Nota da autora
Minha gata preta Rebeca foi envenenada e morreu há alguns meses, quase um ano. Desde então, venho escrevendo um conto intitulado A Sombra da Gata Preta. Há quatro meses enxugo esse texto, corto excessos, escuto o que ele pede para ser. Ainda não está pronto. O processo segue com a orientação do professor Ed Borges, que me acompanha na construção da narrativa e no respeito ao tempo que ela exige. Quando o conto encontrar sua forma final, publicarei aqui.
É ISSO Elixandra (costura pensamento filosófico)
Enviado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 24/12/2025
Alterado em 24/12/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |