

Excesso de Vida, Escassez de Forma🦉🧙🧜♀️🪡
O ser humano é isso/ respirar, receber vida e não saber onde colocá-la. A vida entra em excesso. Transborda. Vem pelo corpo, pelos sentidos, pela pele aberta ao mundo. Depois tenta virar pensamento, conceito, entendimento. Quase nunca consegue. O resto vira angústia. E isso também é humano. Viver não é equilíbrio. É contato com esse transbordamento bruto que insiste em atravessar a gente. Um excesso que não pede permissão. Que vem do sensível, do corpo, da hipersensibilidade que fingimos não ter. Como lembra Clément Rosset, o humano é justamente isso/ uma imensa capacidade de sentir. Mesmo os que se dizem frios, duros, blindados. Mentem. Somos esponjas de afetos. Absorvemos demais. O mundo não para de nos tocar. Há mil possibilidades nos atravessando o tempo todo. Mas nossa capacidade de dar conta disso é mínima. Sentimos mais do que conseguimos elaborar. Por isso acumulamos. Objetos, culpas, silêncios, pensamentos que não fecham, emoções que não encontram forma. Viver é esse desequilíbrio permanente/ sentir demais e saber de menos o que fazer com o que se sente. A saída não é controlar o excesso. Isso é fantasia moral. A saída é devolver. Deixar sair. Expressar. Pensar mal, falar engenbrado, escrever rasgado, chorar sem legenda, criar qualquer forma possível para que o excesso não apodreça dentro. Não sentir é impossível. O máximo que conseguimos é fingir anestesia. Mas o corpo cobra. Sempre cobra. Ser humano não é dominar o sentir. É sobreviver a ele. E quem entende isso para de exigir serenidade de si mesmo. Começa apenas a tentar respirar… e deixar a vida passar para fora antes que ela pese demais por dentro. Porque no fim é só a vida acontecendo.
Pensamentos (paráfrase rossetiana clássica) E (bibliografias Clément Rosset )
Não é o mundo que é insuportável. É o fato de ele existir sem pedir nossa opinião.
O ser humano sofre menos por falta de sensibilidade do que por excesso dela.
A alegria é o sentimento do real.
O real é aquilo que resiste à interpretação.
O Real e Seu Duplo (1976) Esse é o livro-chave. Aqui nasce tudo/ a ideia de que o real é único, bruto, sem cópia de segurança, e que o ser humano inventa duplicações (sentido, moral, esperança, metafísica) para não encarar o excesso do que existe.
A Lógica do Pior (1971) Rosset mostra que o problema não é o sofrimento, mas a recusa em aceitar o real como ele é. O “pior” não é tragédia moral. É lucidez sem anestesia. Muito ligado à angústia que nasce do sentir sem conseguir organizar.
Alegria: A Força Maior (2004) Aqui ele escandaliza mais ainda. A alegria não vem da esperança nem da superação, mas da aceitação plena do real, inclusive do excesso, do absurdo e da dor. Esse livro conversa diretamente com a ideia de hipersensibilidade que não pede salvação, só acolhimento. Sensibilidade, corpo e afeto
O Princípio da Crueldade (1988) Crueldade aqui não é sadismo. É o real sendo o que é, sem consolo. Mostra como o corpo e os afetos são atravessados por algo que não se deixa domesticar pelo pensamento.
O Demônio da Irrealidade (1976) Excelente para entender por que a gente foge do sentir inventando explicações, ideologias e narrativas redentoras. Quanto mais sensível, maior a tentação de negar o real.
Reflexões sobre o Cinema Parece desvio, mas não é. Ele usa o cinema para mostrar como o real aparece quando a narrativa falha. Ótimo para pensar sensação antes de conceito.
O Anti-Natureza Discute a ilusão de ordem, sentido e finalidade. O mundo não foi feito para nos poupar do excesso sensível.
É isso...
Elixandra (costura pensamento filosófico)
Enviado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 14/01/2026
Alterado em 14/01/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |