Elixandra cardoso, costura pensamento

"Tecendo silêncios e sentidos entre fios e pensamentos"

Textos


Rei da Savana de Neon

 

Ele entra na selva de salto invisível.

Não faz barulho.

A arma? Zinco na ponta.

Fareja carência a quilômetros,

olho clínico, pupila dilatada de dopamina.

Não busca amor.

Busca impacto.

O susto no olhar alheio é seu bife da manhã.

Leão de redes sociais e esquinas noturnas,

rei da savana neon urbana,

crina penteada com frases prontas

e silêncio calculado.

Sumiço elaborado.

Ele ama o quase.

Ama o risco.

Ama o tremor na presa,

que pensa ser escolhida

quando na verdade foi só mapeada.

Coleciona corações

como quem pendura medalhas.

Cada mente dominada é território conquistado.

Cada entrega,

um troféu polido na estante do ego.

Ele não ama.

Ele performa.

Confunde intensidade com profundidade

e química com destino.

Mas é preciso reconhecer/

é estrategista.

Estuda terreno,

calcula timing,

atira charme com precisão cirúrgica.

Predador nato.

Instinto afiado.

Artista da adrenalina.

Só não percebe

que o verdadeiro leão

não precisa provar que ruge.

E que há corações

que não são presa.

São espelho.

E espelho não sangra.

Reflete.

 

 

 

 

O leão não pede desculpa por caçar.

Ele apenas segue o que pulsa.

Selvagem não é pecado.

É função.

O instinto não é imoral.

É força primária.

O erro não está em sentir fome,

mas em esquecer que nem toda fome precisa virar presa.

 

 

"Seja a caça perfeita".

 

 

Poesia livre com traço experimental. Construção simbólica (leão, caça, zinco, troféu e etc)

Ausência de métrica rima fixa

 

É isso...

Elixandra (costura pensamento filosófico)
Enviado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 28/02/2026
Alterado em 28/02/2026
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