Elixandra cardoso, costura pensamento

"Tecendo silêncios e sentidos entre fios e pensamentos"

Textos


Entre Flores, Espinhos e Cartas que Nunca Saem da Gaveta ( sátira) 🧙‍♀️🦉🧜‍♀️🪡

Quem tentar possuir uma flor aprende rápido: beleza não gosta de jaula, murcha só de suspeitar que virou propriedade. Mas a gente insiste, claro. Ser humano adora transformar encanto em posse e depois fingir surpresa quando vira cinza. Aí vem o discurso bonito: melhor contemplar do que tocar. Melhor olhar de longe e chamar isso de eternidade. Conveniente. Poético. E um pouco covarde.

No meio disso tudo, surge ela — a tal da intuição, essa entidade que a gente só respeita depois do estrago feito. Vinda do fundo do íntimo, sussurra verdades que ninguém quer ouvir. Nunca erra. E não, não são dúvidas. São espinhos cutucando a consciência até sangrar lucidez. Mas claro, ignorar também é uma escolha estética.

E enquanto a vida acontece sem pedir permissão, tem gente ocupada escrevendo cartas que nunca serão enviadas. Um ritual quase sagrado dos covardes bem articulados. Escrevem como quem está à beira de um abismo, usam palavras infladas, vírgulas dramáticas… e no final dobram o papel com a elegância de quem acha que evoluiu. Não evoluiu. Só não teve coragem de bancar o próprio caos.

Declarações de amor entram em cena como um teatro meio constrangedor. Gente tentando organizar o indomável em frases simétricas, como se o amor obedecesse pontuação. “Eu te amo”, limpinho, ensaiado… quase uma ofensa pela simplificação. O sentimento é um incêndio e a pessoa vem com um copo d’água e chama de profundidade.

No fim, o amor real não cabe em carta, nem em frase, nem em vitrine filosófica. Ele escapa, falha, tropeça, se contradiz. E talvez seja exatamente por isso que tanta gente prefira a versão escrita, guardada, não vivida. Porque viver exige pele. E papel, bem… papel não sangra.

Elixandra (costura pensamento filosófico)
Enviado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 17/03/2026
Alterado em 17/03/2026
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