

ENTRE O PÃO E O ABISMO / Resenha Filosófica: Parmênides /Heráclito
O que alimenta um pássaro pode significar a morte de um inseto. O rio que mata a sede também pode levar uma casa na enchente. A vida raramente cabe em julgamentos rápidos. Ela é um tecido costurado por perspectivas. Talvez Heráclito sorrisse diante dessa cena e dissesse: "Tudo muda. O sentido das coisas muda conforme o tempo, o lugar e quem as vive." Já Parmênides levantaria os olhos e lembraria: "Nem tudo é aparência. Existe uma verdade que permanece, mesmo quando nossos sentidos tropeçam." No fim, a vida parece caminhar entre essas duas margens. Mudam as circunstâncias, mudam os olhares, mudam as histórias. Mas não deixa de existir a responsabilidade de viver com consciência. Talvez seja por isso que a oração peça, ao mesmo tempo, o pão de cada dia e o livramento do mal. O pão nos recorda que dependemos da vida. O livramento nos recorda que também somos responsáveis pela forma como atravessamos a vida dos outros. Gratidão pelo que nos sustenta. Humildade para reconhecer que nossa visão nunca é a única. E sabedoria para caminhar lembrando que toda escolha alimenta alguma coisa. A questão, silenciosa e inevitável, é: o que estamos alimentando? Estranha criatura é o ser humano. Passa metade da vida convencido de que enxerga a realidade inteira e a outra metade descobrindo que olhava apenas por uma fresta da janela. Talvez a filosofia exista justamente para abrir um pouco mais essa janela.
É isso.
Elixandra (costura pensamento filosófico)
Enviado por Elixandra (costura pensamento filosófico) em 28/06/2026
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